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15 de setembro de 2026Outubro Rosa: um convite ao cuidado com a saúde das mamas
O Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização sobre o câncer de mama e reforça uma mensagem essencial: cuidar da saúde das mamas deve fazer parte da rotina de atenção à saúde da mulher durante todo o ano.
Mais do que uma campanha, esse período é uma oportunidade para ampliar o acesso à informação, incentivar o acompanhamento médico e lembrar que o diagnóstico precoce pode fazer diferença nas possibilidades de tratamento e nos resultados clínicos.
O câncer de mama é uma doença que pode apresentar diferentes características e evoluções. Por isso, informação de qualidade, atenção aos sinais do corpo e acesso aos exames recomendados são medidas importantes para o cuidado integral.
Por que a prevenção e o diagnóstico precoce são tão importantes?
O câncer de mama ocorre quando células mamárias passam a se multiplicar de maneira descontrolada, formando um tumor que pode apresentar diferentes comportamentos biológicos.
A idade é um dos principais fatores de risco, mas a doença também pode estar relacionada a fatores genéticos, histórico familiar, exposição hormonal, consumo de bebidas alcoólicas, excesso de gordura corporal e outros aspectos individuais.
É importante compreender que ter fatores de risco não significa necessariamente desenvolver a doença. Da mesma forma, a ausência de histórico familiar não elimina a possibilidade de um diagnóstico.
A prevenção envolve a adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento adequado, enquanto o diagnóstico precoce busca identificar a doença em fases iniciais, quando as possibilidades de tratamento podem ser mais favoráveis.
De acordo com as orientações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a mamografia é uma das principais ferramentas para o rastreamento do câncer de mama. As recomendações brasileiras foram atualizadas em 2025, com indicação prioritária do rastreamento bienal para mulheres de 50 a 74 anos. Para outras faixas etárias e situações específicas, a decisão deve considerar a avaliação individual, os fatores de risco e a orientação profissional.
É importante lembrar que rastreamento e investigação diagnóstica não são a mesma coisa. A mamografia de rastreamento é realizada em pessoas sem sinais ou sintomas suspeitos. Quando existe alguma alteração, a investigação deve ser orientada por um profissional de saúde, independentemente da idade.
Conhecer as próprias mamas também é uma forma de cuidado
As mamas apresentam características próprias, que podem variar ao longo da vida, durante o ciclo menstrual, na gestação e na menopausa.
Conhecer o próprio corpo ajuda a perceber mudanças que merecem atenção. Isso não significa que seja necessário realizar um autoexame com técnica específica ou seguir uma periodicidade rígida. A orientação do INCA é valorizar a percepção das próprias mamas no cotidiano e procurar avaliação médica quando houver alterações suspeitas.
Entre os sinais que merecem investigação estão:
- Nódulo ou endurecimento persistente na mama ou na região da axila.
- Alterações no formato ou no tamanho de uma das mamas que não sejam habituais.
- Mudanças na pele, como retrações, espessamento ou aspecto semelhante à casca de laranja.
- Alterações recentes no mamilo, incluindo inversão ou feridas persistentes.
- Saída espontânea de secreção pelo mamilo, especialmente quando sanguinolenta.
Esses sinais não significam necessariamente câncer. Alterações benignas também podem provocar sintomas semelhantes. Ainda assim, a avaliação profissional é fundamental para esclarecer a causa e definir a conduta adequada.
Cirurgia plástica e saúde das mamas: qual é a relação?
A cirurgia plástica pode fazer parte do cuidado com as mamas em diferentes contextos, desde procedimentos voltados à proporção corporal até cirurgias reparadoras após o tratamento do câncer.
É importante, porém, diferenciar os objetivos de cada procedimento.
Cirurgias como a mamoplastia redutora, a mamoplastia de aumento e a mastopexia podem ser consideradas de acordo com as características anatômicas, as necessidades e as expectativas de cada paciente. Elas não substituem a mamografia, a investigação de alterações suspeitas ou o acompanhamento indicado para a prevenção e a detecção do câncer de mama.
A avaliação da saúde mamária deve ser considerada no planejamento cirúrgico, com a solicitação dos exames pertinentes à idade, ao histórico clínico e aos fatores de risco da paciente.
Quando há suspeita de uma alteração mamária, a prioridade é esclarecer o diagnóstico antes de definir um procedimento estético eletivo.
Reconstrução mamária após o câncer: um cuidado individualizado
Para mulheres que passaram por uma mastectomia ou por outras cirurgias relacionadas ao tratamento do câncer de mama, a reconstrução mamária pode representar uma possibilidade de reconstituir o volume e o contorno das mamas.
A reconstrução pode ser realizada com implantes, tecidos da própria paciente ou uma combinação de técnicas. A escolha depende de fatores como o tipo de cirurgia oncológica, as condições dos tecidos, os tratamentos realizados ou previstos, o estado geral de saúde e as preferências da paciente.
Em determinadas situações, a reconstrução pode ser planejada no mesmo momento da mastectomia. Em outras, é mais adequado realizá-la posteriormente, após a conclusão de etapas do tratamento. Essa decisão deve ser tomada em conjunto com a equipe responsável pelo cuidado oncológico e pela cirurgia reparadora.
A reconstrução mamária não é uma obrigação nem segue um modelo único. Cada mulher deve receber informações claras sobre as possibilidades, os limites, os riscos e as etapas envolvidas, respeitando suas escolhas e seu momento de vida.
O objetivo é oferecer uma abordagem individualizada, que considere não apenas a anatomia, mas também o bem-estar, as necessidades e as expectativas de cada paciente.
Cuidar de si é um compromisso que vai além de outubro
O Outubro Rosa reforça a importância de transformar informação em atitudes concretas. Manter os exames recomendados em dia, conhecer as próprias mamas, procurar atendimento diante de alterações e conversar com profissionais de saúde sobre dúvidas e fatores de risco são atitudes que contribuem para um cuidado mais consciente.
A saúde das mamas não deve ser associada apenas à aparência. Ela faz parte da saúde integral da mulher e merece atenção em todas as fases da vida.
Na clínica da Dra. Lilian Cappelli Coutinho, o atendimento em cirurgia plástica é orientado pela avaliação individual, pela informação clara e pelo respeito às necessidades de cada paciente.
Neste Outubro Rosa, o convite é simples: priorize sua saúde, mantenha seu acompanhamento em dia e não adie a investigação de alterações que mereçam atenção.
Sobre a autora
Dra. Lilian Cappelli Coutinho é cirurgiã plástica, com mais de 20 anos de experiência, atendimento no bairro Cariru, em Ipatinga, e atuação pautada na avaliação individualizada e no cuidado responsável.
CRM 28770-MG
RQE 17117
Referências científicas e institucionais
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detecção precoce do câncer de mama. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/acoes/deteccao-precoce/
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Posicionamento sobre a faixa etária para rastreamento do câncer de mama. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2025/posicionamento-oficial-do-instituto-nacional-de-cancer-inca-sobre-faixa-etaria-recomendada-para-mamografia-de-rastreio
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de mama: vamos falar sobre isso? Disponível no repositório institucional do INCA.

